O dólar terminou o último pregão antes do segundo turno abaixo de R$ 5. Na sexta-feira (23), a moeda americana caiu 0,92% e fechou a R$ 4,993, o menor valor desde 9 de outubro. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, subiu 0,47%, aos 205.082 pontos, e acumula alta de cerca de 10% em outubro.
Ajudaram o movimento um IPCA-15 abaixo do esperado, que fez os juros futuros recuarem, e o chamado “trade eleitoral”, as apostas dos investidores no resultado de domingo. No exterior, o petróleo tipo Brent subiu para US$ 116,72 o barril, o maior valor desde abril.
O que o mercado espera
Gestores e economistas ouvidos pelo InfoMoney veem riscos desiguais. Uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como favorito pelas gestoras consultadas, tenderia a trazer nova alta da Bolsa e do real, mas menor que a do primeiro turno e dependente de um plano de ajuste das contas públicas. Uma reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo os mesmos analistas, provocaria uma queda mais forte dos ativos, capaz de apagar os ganhos das últimas semanas.
- JPMorgan: dólar a R$ 4,90 com Flávio e a R$ 5,50 com Lula, segundo a Bloomberg Línea.
- Bloomberg Economics: o real poderia se valorizar mais 2,7% com Flávio; com Lula, a desvalorização chegaria a 11%, se os demais fatores ficassem constantes.
- Gestores ouvidos pelo InfoMoney: com Flávio, dólar perto de R$ 4,80 e Ibovespa a caminho dos 220 mil pontos.
Esperança e entrega
Os próprios analistas fazem ressalvas. Para Luciano França, gestor da Paramis Avantgarde, a alta recente da Bolsa esteve muito ligada à expectativa de queda dos juros, e não a uma melhora nos lucros das empresas, e o mercado vive uma situação de “esperança versus entrega”. Nenhum dos dois candidatos apresentou na campanha um plano detalhado para estabilizar a dívida pública, e mesmo uma vitória do favorito do mercado pode vir acompanhada de realização de lucros.
Para quem não investe, o efeito mais direto do câmbio aparece no preço dos combustíveis, dos produtos importados e das viagens ao exterior.
Com informações do InfoMoney, da Bloomberg Línea, do O Povo e do SpaceMoney.
Foto: Oleg Yunakov, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.