O biólogo e divulgador científico Átila Iamarino relaciona a demora na contratação de vacinas contra a Covid-19 a interesses comerciais privados. No vídeo Pátria, Família, Eugenia e Negócios, ele retoma o caso Covaxin e uma reportagem da revista piauí sobre a proximidade entre o senador Flávio Bolsonaro e empresários da Precisa Medicamentos.
“Isso não foi negacionismo, isso foi negócio.”
Átila Iamarino, no vídeo
A frase resume a interpretação do divulgador: o desestímulo à vacinação e as dificuldades para comprar imunizantes pelo sistema público teriam favorecido oportunidades de negócios com intermediários. Átila também destaca o papel do SUS, da Anvisa, de servidores e de instituições científicas na resposta à pandemia.
Reportagem retoma encontro no Lago Paranoá
Publicada em 21 de outubro, a reportagem da piauí relata um passeio de lancha em Brasília, em 17 de julho de 2020, com Flávio Bolsonaro e executivos ligados à Precisa, representante da fabricante da Covaxin. Segundo a revista, Danilo Trento presenteou o senador com um Rolex. A apuração reuniu relatos e registros de voos.
A revista registra que Flávio já havia negado manter relação comercial ou financeira com Francisco Maximiano, empresário da Precisa. Segundo a publicação, o senador não se manifestou sobre a nova reportagem até o fechamento; Trento interrompeu o contato após conhecer a pauta e os advogados de Maximiano não responderam.
O que a CPI registrou sobre a Pfizer
O atraso nas negociações tem registros anteriores. Em depoimento à CPI da Pandemia em maio de 2021, Carlos Murillo, representante da Pfizer, afirmou que propostas apresentadas em agosto de 2020 ficaram sem resposta. As ofertas incluíam alternativas de 30 milhões ou 70 milhões de doses, com entregas escalonadas. Nas propostas de 18 e 26 de agosto, até 1,5 milhão poderia ser entregue ainda em 2020.
Na mesma audiência, senadores governistas apontaram obstáculos jurídicos nas cláusulas exigidas pela farmacêutica. Outros parlamentares questionaram por que o governo não propôs antes as mudanças legais. Murillo afirmou que as condições contratuais eram as mesmas oferecidas a outros países.
A cronologia sanitária também importa: a Anvisa concedeu o registro da vacina da Pfizer em 23 de fevereiro de 2021. Em agosto de 2020, a vacina ainda estava em desenvolvimento.
Covaxin: contrato cancelado e sanções à empresa
A contratação da Covaxin acabou desfeita sem que o Ministério da Saúde realizasse o primeiro pagamento, conforme registra a reportagem da piauí. A assinatura do contrato, portanto, não significou que as doses tenham sido entregues ou pagas.
Em 2024, a Controladoria-Geral da União aplicou sanções administrativas à Precisa por irregularidades documentais na negociação. O processo da CGU e a análise do pedido de reconsideração registram documentos adulterados e a contestação da empresa, que alegou ausência de intenção ilícita e de prejuízo ao erário. Esse procedimento trata da responsabilidade da empresa.
No vídeo, Átila conecta esses episódios em uma crítica à condução da pandemia. A relação causal que ele propõe entre os interesses comerciais e o atraso da vacinação é sua análise, e deve ser distinguida dos fatos e das decisões administrativas documentados.
Assista à análise completa: vídeo de Átila Iamarino no YouTube.
Imagem: reprodução da apresentação do vídeo no YouTube, enviada à redação.