NATAL • Atualizado às 21h15 (horário de Brasília) – A jovem Clara Thaís Silva Maia, de 18 anos, recebeu alta médica nesta quarta-feira, 4 de novembro de 2026, após permanecer dez dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital em Mossoró, no Rio Grande do Norte. Clara sobreviveu a uma violenta tentativa de feminicídio motivada por intolerância política: ela teve o pescoço cortado e foi atingida por quatro facadas desferidas pelo próprio namorado, Eduardo Ronald Ferreira, também de 18 anos, após celebrar a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições.
O crime na madrugada após a apuração das urnas
O ataque ocorreu na madrugada de 25 de outubro de 2026, no município de Umarizal, localizado na região Oeste potiguar. De acordo com o boletim de ocorrência e relatos da defesa da família, Clara estava na residência do namorado acompanhando o encerramento da apuração eleitoral. A celebração da vitória petista por parte da jovem revoltou Eduardo, apoiador convicto do candidato da oposição, Flávio Bolsonaro.
Inconformado com o resultado das urnas e descontrolado pela discussão ideológica, o agressor foi até a cozinha, apanhou uma faca e desferiu quatro golpes profundos na região do pescoço e da traqueia da jovem, provocando hemorragia intensa.
Socorro de emergência, UTI e recuperação das vias aéreas
Clara foi socorrida inicialmente em estado gravíssimo no hospital municipal de Umarizal e, devido à complexidade das lesões cervicais, transferida com urgência para unidades de referência em Pau dos Ferros e Mossoró. No hospital, a vítima passou por procedimentos cirúrgicos para estancar o sangramento e reconstruir estruturas das vias respiratórias, permanecendo entubada sob ventilação mecânica na UTI.
Nos últimos dias, Clara apresentou evolução clínica estável, permitindo a retirada dos aparelhos. Antes da liberação médica nesta quarta-feira, a paciente foi submetida a um exame minucioso de broncoscopia para avaliar as condições internas da laringe e da traqueia. Com a confirmação da cicatrização das vias aéreas e a ausência de novas complicações, os médicos autorizaram a alta para que ela continue o processo de recuperação e fonoterapia em casa.
Prisão preventiva do agressor e medidas protetivas
Logo após o ataque, o próprio agressor ligou para a Polícia Militar comunicando o ocorrido e foi preso em flagrante no local do crime. A Justiça do Rio Grande do Norte converteu a prisão em preventiva, mantendo Eduardo Ronald recolhido ao sistema prisional e autuado por tentativa de feminicídio qualificado por motivo fútil e impossibilidade de defesa da vítima.
Em declarações à coluna de Mirelle Pinheiro no portal Metrópoles, a advogada da família da vítima, Helena Belmont, informou que Clara prestará depoimento oficial à Polícia Civil do Rio Grande do Norte (PCRN) assim que recuperar plenamente a capacidade vocal. A advogada revelou ainda ter obtido na Justiça medidas protetivas de urgência contra o irmão do suspeito, após registrar investidas e tentativas de intimidação que visavam impedir a divulgação da motivação política da agressão.
Intolerância política no centro das investigações
O caso provocou forte comoção nas redes sociais e mobilizou manifestações de repúdio de entidades de direitos humanos e movimentos de combate à violência contra a mulher em todo o país. O inquérito da Polícia Civil apura o crime como uma das mais graves manifestações de violência política de gênero registradas no ciclo eleitoral recente.
Acompanhe os desdobramentos deste e de outros casos de repercussão nacional no portal Bauru Online.