BRASÍLIA • Atualizado às 18h50 (horário de Brasília) – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil encerrou nesta quarta-feira, 4 de novembro de 2026, a sua penúltima reunião ordinária do ano com a decisão unânime de interromper o ciclo de afrouxamento e manter a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano. A deliberação colegiada, conduzida pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, confirmou a mudança de rota precificada pelo mercado financeiro nos últimos dias e priorizou a ancoragem firme das expectativas inflacionárias em meio à volatilidade cambial e incertezas fiscais.
Os fatores que pesaram para interromper a queda dos juros
Até meados de outubro, analistas de mercado e agentes econômicos ainda projetavam a possibilidade de mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic. Contudo, a deterioração das variáveis macroeconômicas no cenário doméstico e internacional forçou a diretoria da autoridade monetária a adotar uma postura estritamente cautelosa.
Em comunicado oficial divulgado após o término dos trabalhos, o Copom enfatizou três pontos determinantes para a decisão:
- Desancoragem das Projeções de Inflação: As estimativas apuradas pelo Boletim Focus e pelos modelos internos do BC para o horizonte relevante de 18 meses (2026 e 2027) permaneceram acima do centro da meta oficial de 3,00%, puxadas pela resiliência da inflação de serviços e alimentos.
- Pressão Cambial e Dólar Volátil: A desvalorização acumulada do real frente à moeda norte-americana nas últimas semanas encareceu insumos importados, gerando riscos de contaminação sobre os preços no atacado antes do arrefecimento registrado neste pregão.
- Prêmio de Risco e Incertezas Fiscais: O comitê destacou que uma política fiscal crível e previsível é indispensável para a desinflação, ressaltando que dúvidas sobre a trajetória da dívida pública elevam o prêmio de risco exigido pelos investidores.

O impacto no bolso das famílias, no crédito e nos investimentos
A manutenção da Selic no patamar de 13,75% ao ano reverbera diretamente na dinâmica econômica do dia a dia em todo o país e no interior paulista:
1. Custo do Crédito e Financiamentos
As taxas cobradas em modalidades como cheque especial, cartão de crédito rotativo, empréstimos consignados e financiamentos imobiliários e automotivos permanecem elevadas. Para o consumidor e pequenas empresas, o cenário exige disciplina orçamentária redobrada e renegociação criteriosa de passivos.
2. Renda Fixa Continua Altamente Atrativa
Para os poupadores e investidores, a decisão mantém os títulos públicos federais (como o Tesouro Selic), CDBs de liquidez diária e debêntures incentivadas pagando rendimentos nominais expressivos, com retorno real (descontada a inflação) acima de 7% ao ano, consolidando a renda fixa como refúgio seguro de rentabilidade.
3. Ritmo do Comércio e Indústria Regional
Em polos econômicos regionais como Bauru, Jaú e Marília, a taxa de juros elevada freia decisões de grandes investimentos produtivos e aquisição de bens duráveis, estimulando varejistas e indústrias a apostarem em promoções pontuais e prazos estendidos de pagamento para sustentar o volume de vendas no final de ano.
Próximos passos: ata na próxima terça e reunião de dezembro
O Banco Central informou que a ata detalhada desta 282ª reunião, com as projeções econométricas completas e o balanço detalhado de riscos, será divulgada na próxima terça-feira, 10 de novembro, às 08h00.
O último encontro do Copom no calendário oficial de 2026 está agendado para os dias 8 e 9 de dezembro, quando a autoridade monetária fechará o ano e definirá as diretrizes de política monetária para o início de 2027.
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