Uma manifestação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco, colocou a Câmara Municipal de Bauru no centro de um novo e grave desdobramento da Operação Cavalo de Troia. Em trecho juntado aos autos e exibido pela TV TEM, os promotores afirmam que a investigação constatou pagamento de propina a vereadores para viabilizar o Projeto de Lei 95/2025 e conter protestos na sessão legislativa de 9 de dezembro de 2025.
A afirmação é do Ministério Público e integra uma investigação ainda em andamento. O documento divulgado não identifica os vereadores citados, não informa quanto cada um teria recebido e não representa condenação judicial definitiva.
O que diz o trecho do Gaeco
“As investigações constataram o pagamento de propina a vereadores.”
Trecho da manifestação atribuída ao Gaeco

Segundo o trecho, a compra de apoio teria alcançado o Poder Legislativo local. O documento atribui ao então secretário municipal de Governo Renato Celso Bonomo Purini a atuação direta perante parlamentares para aprovar o projeto. Também afirma que o objetivo era viabilizar o certame e conter protestos, com recursos que teriam partido da Estre Ambiental.

Repasses de R$ 4,096 milhões sob investigação
A manifestação sustenta que a Estre Ambiental repassou R$ 4,096 milhões à Core Intermediações. De acordo com a investigação, contratos, termos aditivos e notas fiscais teriam sido usados para simular serviços e dar aparência regular ao fluxo financeiro.
Esse valor corresponde ao fluxo apontado entre as empresas e não pode ser apresentado, sem individualização adicional, como a quantia destinada diretamente aos vereadores. Os nomes dos parlamentares e os eventuais valores individuais permanecem ausentes do trecho tornado público.
Projeto de Lei 95/2025 e a concessão por até 35 anos
O Projeto de Lei 95/2025 aparece na página 9 do Diário Oficial de Bauru de 6 de novembro de 2025. O texto autorizava o Município a delegar, por concessão administrativa, os serviços de manejo de resíduos sólidos e limpeza urbana. A proposta previa prazo não inferior a cinco anos nem superior a 35 anos. A contratação investigada foi estimada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em R$ 5,2 bilhões e teria duração projetada de 30 anos.

Consulte a edição completa do Diário Oficial de Bauru em PDF.
O que está confirmado e o que ainda falta esclarecer
- O Gaeco investiga possível fraude na concessão dos resíduos sólidos de Bauru.
- O TJSP confirmou a autorização judicial de prisões, buscas, apreensões e bloqueios patrimoniais no âmbito da operação.
- O trecho divulgado usa expressamente a frase “pagamento de propina a vereadores”.
- Os vereadores mencionados não foram identificados no documento tornado público.
- Não foram divulgados os valores individuais nem a destinação final de cada repasse.
- A investigação ainda não equivale a condenação, e a responsabilidade de cada pessoa dependerá da individualização das condutas e do devido processo legal.
A nota oficial do TJSP sobre as medidas cautelares informa que também são apurados possíveis pagamentos de vantagens indevidas, compartilhamento reservado de documentos e tentativas de interferência em órgãos de controle. A comunicação do tribunal não identifica vereadores nem declara culpados os investigados.
Documentos e registros para consulta
- Diário Oficial de Bauru de 6 de novembro de 2025, com o Projeto de Lei 95/2025 na página 9
- Comunicado do TJSP sobre as medidas autorizadas na Operação Cavalo de Troia
- Registro da Câmara sobre a repercussão dos documentos da operação na sessão de 26 de outubro
O Bauru Online teve acesso ao trecho da manifestação reproduzido nesta página, mas não a uma versão integral e publicamente navegável do documento do Gaeco. A reportagem será atualizada se a íntegra for disponibilizada oficialmente, se os parlamentares forem individualizados ou se houver novas decisões judiciais.
O espaço permanece aberto para manifestações dos citados e de eventuais vereadores que venham a ser formalmente identificados na investigação.