BRASIL • SEGURANÇA PÚBLICA & MERCADO FINANCEIRO – A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (5 de novembro de 2026), uma megaoperação interestadual para desarticular uma organização criminosa especializada na exploração de plataformas de apostas online ilegais (bets sem autorização federal) e na lavagem de dinheiro no Distrito Federal e em outros cinco estados brasileiros. De acordo com as investigações reportadas pelo portal Poder360 com base em comunicado oficial da PCDF, o esquema clandestino movimentou mais de R$ 700 milhões por meio de empresas de fachada e levou a Justiça a determinar o bloqueio global de até R$ 3,483 bilhões em contas e ativos financeiros.
Mandados na Faria Lima, Berrini e em seis unidades da Federação
A ofensiva policial cumpre mandados judiciais de busca e apreensão e medidas cautelares de constrição patrimonial (sem previsão de mandados de prisão nesta fase) em endereços comerciais e residenciais distribuídos pelo Distrito Federal e pelos estados de São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte.
No Distrito Federal, as diligências concentram-se nas regiões administrativas de Sobradinho, Planaltina e Ceilândia. Já na capital paulista, os agentes cumpriram ordens judiciais em importantes centros financeiros do país, incluindo endereços situados nas regiões das avenidas Brigadeiro Faria Lima, Engenheiro Luís Carlos Berrini e Consolação.
Engenharia financeira: empresas de fachada, criptoativos e fintech sob mira
Segundo o inquérito conduzido pela Polícia Civil do Distrito Federal, as plataformas de apostas operavam à margem da regulamentação da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. Para ocultar a origem ilícita dos valores captados de apostadores em todo o país, o grupo estruturava uma rede complexa de dezenas de empresas de fachada.
“As apurações apontam o uso de dezenas de empresas de fachada para receber os pagamentos, concentrar os valores e redistribuí-los entre pessoas, empresas e instituições de pagamento, inclusive com conversão em criptoativos.”
Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), em nota oficial sobre a operação
As investigações também alcançaram a fintech A55 Sociedade de Crédito, sediada em São Paulo e que operava como sociedade de crédito direto autorizada pelo Banco Central. De acordo com a PCDF, relatórios de inteligência financeira referentes à instituição e a empresas do mesmo grupo econômico apontaram uma movimentação aproximada de R$ 1 bilhão, incluindo repasses diretos a empresas investigadas e liquidação de pagamentos vinculados a casas de apostas não autorizadas. Ainda segundo a corporação, em 30 de julho de 2026 o próprio Banco Central já havia divulgado a intenção de cancelar a autorização de funcionamento da referida fintech.
Cerco judicial: bloqueio de R$ 3,48 bilhões e suspensão de 100 CNPJs
As ordens judiciais foram expedidas pelo Juízo das Garantias de Sobradinho (DF), que impôs um severo pacote de asfixia financeira contra a estrutura criminosa:
- Bloqueio bilionário de ativos: Determinação de bloqueio de contas bancárias e ativos financeiros de 64 pessoas físicas e 120 pessoas jurídicas, até o limite global de R$ 3,483 bilhões, além da indisponibilidade de bens custodiados em instituições supervisionadas pelo Banco Central (BC) e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM);
- Suspensão de registros empresariais: Suspensão imediata das inscrições no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e dos registros nas juntas comerciais de 100 empresas e empresários individuais utilizados no esquema;
- Trava bancária e quebra de sigilo: Proibição de abertura de novas contas bancárias pelos investigados pelo prazo de 90 dias e afastamento dos sigilos bancário e fiscal de 82 pessoas físicas e 83 pessoas jurídicas.
Alerta ao consumidor: os riscos de apostar em plataformas clandestinas
O avanço das operações policiais contra o mercado ilegal de apostas reforça o alerta das autoridades financeiras e de defesa do consumidor. No Brasil, apenas as plataformas devidamente credenciadas pelo Ministério da Fazenda e que operam sob o domínio oficial “.bet.br” estão submetidas às regras de conformidade, prevenção à lavagem de dinheiro e garantia de pagamento de prêmios.
Depositar recursos em sites clandestinos expõe o cidadão ao risco imediato de perda total dos valores depositados (sem qualquer amparo judicial ou regulatório), além do comprometimento de dados pessoais, chaves Pix e informações de cartões de crédito que passam a alimentar redes de fraude e ocultação patrimonial.
Fonte Primária Consultada: Reportagem elaborada com base nas informações oficiais divulgadas pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e publicadas pelo portal Poder360 em 5 de novembro de 2026.