O custo de vida virou o principal tema da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Os números oficiais do IBGE mostram, porém, que foi durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, de 2019 a 2022, que o preço da comida teve a maior escalada da última década.
Nesses quatro anos, o grupo alimentação e bebidas do IPCA, a inflação oficial do país, acumulou alta de 46,2%. A inflação geral do período foi de 26,9%. Ou seja, a comida subiu quase o dobro da média dos preços.
Ano a ano
| Ano | Alimentação e bebidas | IPCA geral |
|---|---|---|
| 2019 | 6,37% | 4,31% |
| 2020 | 14,09% | 4,52% |
| 2021 | 7,94% | 10,06% |
| 2022 | 11,64% | 5,79% |
| Acumulado | 46,2% | 26,9% |
Os 14,09% de 2020 foram a maior alta anual da comida desde 2002. Considerando apenas os alimentos comprados para consumo em casa, a alta naquele ano chegou a 18,15%.
Em 2020, o arroz subiu 76% e o óleo de soja ficou 104% mais caro, segundo o IBGE
Os itens que mais pesaram
- 2020: óleo de soja (+103,79%), arroz (+76,01%), batata-inglesa (+67,27%), tomate (+52,76%), leite longa vida (+26,93%) e carnes (+17,97%).
- 2021: café moído (+50,24%) e tomate (+18,60%).
- 2022: batata-inglesa (+51,92%), feijão carioca (+27,77%), leite longa vida (+26,18%) e café moído (+13,51%).
O que explica a alta
Economistas apontam uma combinação de fatores. A pandemia de covid-19, a partir de 2020, desorganizou cadeias de produção. A forte desvalorização do real encareceu as commodities agrícolas e tornou a exportação mais vantajosa para os produtores. Problemas climáticos, como geadas e secas, prejudicaram safras, e a guerra na Ucrânia, em 2022, elevou o preço de fertilizantes e combustíveis. Críticos do governo Bolsonaro apontam ainda a redução dos estoques públicos de alimentos da Conab, que ajudavam a segurar os preços em momentos de alta.
E depois
No atual mandato de Lula, o grupo alimentação e bebidas subiu 1,03% em 2023, 7,69% em 2024 e 2,95% em 2025, um acumulado de 12,0% em três anos, abaixo da inflação geral do período, de 14,3%. O ano de 2026 ainda não terminou.
Comparações entre governos precisam levar em conta o contexto de cada período: os anos de 2019 a 2022 incluíram uma pandemia e uma guerra com efeito sobre os preços no mundo inteiro. Ainda assim, foi nesse intervalo que a comida mais pesou no bolso dos brasileiros.
Fonte: IBGE, IPCA (Sistema Sidra, tabelas 1419 e 7060). Acumulados calculados pelo Bauru Online.
Foto: Mateus S. Figueiredo, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons.