A ampliação do acesso a leitos hospitalares de média e alta complexidade em Bauru não exige necessariamente a construção de um novo hospital municipal, mas o aproveitamento inteligente das estruturas já instaladas e a articulação entre as esferas de governo. A avaliação técnica é do médico e professor José Sebastião dos Santos, diretor pro tempore da Faculdade de Medicina de Bauru da Universidade de São Paulo (FMBru-USP), que defende a união de esforços entre a Prefeitura de Bauru, o governo estadual, o Ministério da Saúde e as universidades para solucionar os históricos gargalos da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross).
Potencial de expansão no Hospital das Clínicas e estruturas existentes
Conforme o diagnóstico apresentado pelo especialista em saúde pública, o Hospital das Clínicas de Bauru (HC) representa o caminho mais rápido e economicamente viável para ampliar a oferta de internações. Em um intervalo de três anos, a unidade estadual saltou de 48 para 183 leitos ativos com investimentos do governo paulista, dispondo de capacidade estrutural já construída para ativar mais 87 leitos e alcançar 270 vagas em pleno funcionamento.
Para que essa ampliação se concretize, a direção acadêmica sustenta que o poder público municipal deve atuar em sintonia com a Diretoria Regional de Saúde (DRS-6) e a Secretaria de Estado da Saúde, alinhando convênios e planos de custeio continuado. A medida evitaria os altos custos de implantação e a manutenção permanente que um prédio hospitalar novo demandaria dos cofres municipais, em um momento de estreitas margens orçamentárias.
Reorganização da rede e Instituto Lauro de Souza Lima
Além do HC, o planejamento aponta o potencial do Instituto Lauro de Souza Lima, que conta com cerca de 40 leitos que podem ser reativados e integrados ao fluxo do SUS regional. A estratégia envolve transferir gradativamente consultas e procedimentos ambulatoriais para unidades básicas de saúde e policlínicas, liberando blocos hospitalares exclusivamente para internações e procedimentos cirúrgicos de retaguarda.
O professor José Sebastião dos Santos pontua que a eficiência do sistema hospitalar está vinculada à gestão qualificada da permanência do paciente no leito. Quando a atenção básica e o atendimento pré-hospitalar funcionam com resolutividade nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), o tempo de internação cai e a rotatividade dos leitos especializados aumenta, gerando impacto imediato na diminuição do tempo de espera nas macas.
Pacto federativo em defesa do usuário do SUS
A proposta de integração regional busca também a corresponsabilização dos municípios vizinhos que compõem a comarca e o colegiado regional de saúde. Como Bauru funciona como polo de referência médica para mais de duas dezenas de cidades do Centro-Oeste Paulista, a pactuação conjunta permite o aporte compartilhado de recursos estaduais e federais.
Com o avanço das discussões entre o corpo acadêmico da USP, gestores da saúde municipal e lideranças legislativas, a expectativa é que o modelo de cogestão técnica e expansão dos serviços consolidados sirva de diretriz para os planos de saúde pública dos próximos anos em Bauru, garantindo atendimento humanizado e ágil a quem mais precisa.