Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), incluindo equipes ligadas à Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB-USP), e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) apresentaram os resultados de um modelo pioneiro de inteligência artificial capaz de transformar o atendimento odontológico infantil no Sistema Único de Saúde (SUS). O sistema algorítmico atingiu taxa de acerto de 94% na identificação precoce de lesões bucais, problemas de desenvolvimento ósseo e anomalias na mastigação de crianças a partir da análise automatizada de radiografias digitais.
Desenvolvido por meio de redes neurais convolucionais de aprendizado profundo (deep learning), o algoritmo foi treinado com milhares de exames anonimizados realizados nas clínicas de pós-graduação e atendimento infantil das universidades. A tecnologia identifica alterações anatômicas sutis que muitas vezes passam despercebidas em exames clínicos preliminares, especialmente em pacientes em fase de dentição mista.
Agilidade e precisão no fluxo da rede pública
A principal aplicação da nova tecnologia está na otimização das filas e triagens em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Especialidades Odontológicas (CEO). O modelo atua como ferramenta de apoio à decisão clínica: ao carregar o exame radiográfico digitalizado, o profissional recebe uma pontuação de risco e a indicação precisa das áreas prioritárias para intervenção.
Com esse suporte, casos que demandam intervenção ortodôntica precoce ou cirurgias preventivas recebem encaminhamento imediato para os especialistas correspondentes. Essa triagem direcionada reduz significativamente o tempo de espera das famílias e evita que pequenas más-oclusões ou infecções ocultas evoluam para quadros complexos com prejuízos funcionais na deglutição e na fala da criança.
Protagonismo científico de Bauru
A participação de especialistas de Bauru é um dos pilares do estudo. Reconhecido internacionalmente como centro de excelência em odontopediatria, ortodontia e reabilitação de anomalias craniofaciais, o corpo docente e os pesquisadores da USP Bauru contribuíram decisivamente para a calibragem clínica e para os testes de validação dos dados de imagem.
Os pesquisadores informaram que o projeto entra agora na etapa de testes pilotos em unidades do SUS no estado de São Paulo, pavimentando o caminho para que a inteligência artificial se consolide como aliada essencial na garantia de sorrisos saudáveis para milhares de crianças brasileiras.