Derrotado no segundo turno por Lula (PT), que foi reeleito neste domingo (25), o senador Flávio Bolsonaro (PL) sai da eleição sem a Presidência e com o mandato no Senado perto do fim. Eleito em 2018, ele deixa a Casa em 31 de janeiro de 2027 e não disputou a reeleição neste ano, porque concorria ao Planalto. A partir de fevereiro, estará sem mandato justamente quando é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF).
O inquérito no STF
O STF abriu em outubro um inquérito para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e operações ligadas a empresas de apostas envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz, amigo do senador. O relator é o ministro Alexandre de Moraes. A investigação começou na Justiça Federal do Rio Grande do Sul e só chegou ao Supremo, em 8 de outubro, por causa do foro de Flávio como senador. A Procuradoria-Geral da República se manifestou a favor da abertura do inquérito.
Segundo relatório da Polícia Federal, Flávio aparecia em documentos bancários da Alcazar Holdings, empresa ligada a Tomaz e sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, com perfil de “usuário master”, o que lhe daria alto nível de acesso à conta. A PF localizou um e-mail de maio de 2025 em que uma funcionária do advogado pedia ao banco a retirada desse acesso. Os investigadores também apontam registros de encontros, festas e viagens, documentos pessoais do senador guardados na nuvem do advogado e indícios de que Tomaz teria controle ou interesse econômico em empresas do setor de apostas.
O caso Willer Tomaz
Na sexta-feira (23), Moraes mandou bloquear até R$ 6 bilhões em bens do advogado, quebrou os sigilos bancário, fiscal e cambial, suspendeu os passaportes dele e paralisou as atividades de suas empresas. As medidas vieram depois que a PF descobriu que Tomaz viajou para Miami após ser alvo de busca e apreensão, em agosto, na Operação Sem Desconto, que investiga descontos indevidos em aposentadorias do INSS.
E o foro?
Sem mandato, Flávio perde a estrutura e a visibilidade do cargo de senador. Quanto ao foro, a situação não é automática: em 2025, o STF decidiu que o foro por prerrogativa de função continua valendo depois do fim do mandato para crimes cometidos no exercício do cargo e em razão dele. Caberá ao Supremo definir se o inquérito permanece na Corte ou volta para a primeira instância. Em qualquer dos casos, a investigação segue, agora sem a proteção política de uma eventual Presidência.
O outro lado
Flávio e Willer Tomaz reconhecem a amizade, mas negam ter negócios em comum. A defesa do senador afirma que “a única relação existente entre eles é a de amizade entre as famílias”. A defesa do advogado sustenta que as atividades de suas empresas são regulares e contesta os apontamentos da investigação. O espaço segue aberto para manifestação de ambos.
Com informações do Supremo Tribunal Federal, da Polícia Federal, da Revista Oeste, da revista CartaCapital, do Jornal Grande Bahia e do Tribuna do Sertão.
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