A Polícia Federal intimou o senador Flávio Bolsonaro (PL) a entregar os passaportes nesta segunda-feira (26), um dia depois de ele ser derrotado por Lula (PT) no segundo turno da eleição presidencial. Segundo o próprio senador, a medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e ele também está proibido de deixar o país.
Flávio contou a intimação em vídeo publicado nas redes sociais. De acordo com o relato, ele foi abordado por agentes da PF na rua, ao sair da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. “Eu fui intimado a entregar os meus passaportes”, disse. Ainda segundo o senador, a decisão foi tomada na noite de domingo (25), logo depois da divulgação do resultado.
A investigação
Segundo a Gazeta do Povo, a decisão foi assinada por Moraes na condição de relator da investigação que apura suposta lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz. O processo tramita em sigilo.
A entrega de passaportes e a proibição de sair do país são medidas cautelares usadas para evitar que um investigado deixe o Brasil durante a apuração. Em 2025, o ex-deputado Alexandre Ramagem, condenado no processo da trama golpista, deixou o país antes do fim do caso.
A fala de Eduardo
Flávio afirma que a decisão se baseou em uma declaração do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde março de 2025. Na sexta-feira (23), em entrevista ao programa americano Louder with Crowder, Eduardo disse ser a favor de que o irmão deixasse o país caso perdesse a eleição.
No vídeo, Flávio negou ter feito qualquer declaração nesse sentido. “Eu nunca pensei em sair do país”, afirmou. Ele disse que vai entregar os documentos, chamou a medida de tentativa de intimidação e informou que os advogados vão contestá-la no processo.
Sem reconhecer a derrota
No mesmo vídeo, Flávio voltou a questionar o resultado da eleição, que perdeu por mais de 4 milhões de votos, e disse que vai pedir a cassação da chapa de Lula. Ele não apresentou provas de irregularidade. A menos de cem dias do fim do mandato no Senado, em 31 de janeiro, o senador concentra o discurso no ataque às instituições enquanto responde a uma investigação no STF.
Até a publicação desta reportagem, o STF informou não ter informações sobre a decisão de Moraes, e a Polícia Federal não havia se manifestado.
O espaço está aberto para manifestação do senador Flávio Bolsonaro e de sua defesa.
Com informações da Gazeta do Povo, da Exame e do ND Mais.
Foto: Reprodução/vídeo (pronunciamento de Flávio Bolsonaro após a derrota, em 25 de outubro).