MUNDO – POLÍTICA INTERNACIONAL & MÍDIA – A sala de imprensa James S. Brady, na Casa Branca, acostumada há mais de um século com diplomatas de fala pausada, jornalistas veteranos e respostas meticulosamente filtradas por comitês de relações públicas, pode estar prestes a se transformar em um octógono de artes marciais mistas. O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou formalmente Dana White, o tempestuoso e bilionário presidente do Ultimate Fighting Championship (UFC), para assumir o cargo de secretário de imprensa e porta-voz da presidência norte-americana.
Uma aliança forjada nas arenas de luta
A relação entre Trump e Dana White tem mais de duas décadas. No início dos anos 2000, quando o UFC era banido de quase todos os estados norte-americanos e rotulado como barbárie violenta pelo establishment político, Donald Trump abriu os hotéis e cassinos de sua propriedade em Atlantic City para sediar os primeiros eventos da marca, salvando a franquia da falência iminente.
A substituição do protocolo tradicional pelo combate direto
Conhecido mundialmente por responder a repórteres com palavrões, ironias ácidas e confronto sem filtros em coletivas pós-luta, Dana White representa o ápice da estratégia trumpista de desmoralizar a imprensa tradicional e falar diretamente com as massas. Em vez de contemporizar questionamentos críticos sobre política externa, conflitos no Oriente Médio e guerras comerciais, o governo republicano planeja transformar os briefings diários em duelos de alta voltagem exibidos nas redes sociais.
A iniciativa, que ainda aguarda a formalização da aceitação por parte de White, reflete a rápida mercantilização e espetacularização da política das superpotências globais no século XXI.