TECNOLOGIA – AUTOMOBILISMO & ENGENHARIA – Enquanto o Grande Prêmio de São Paulo movimenta apaixonados por velocidade no Autódromo de Interlagos neste fim de semana, os avanços da engenharia de ponta desenvolvidos para as pistas continuam operando uma silenciosa revolução nos veículos de passeio comuns. Longe de ser apenas um espetáculo esportivo, a Fórmula 1 funciona historicamente como o laboratório automotivo mais severo e veloz do planeta, antecipando soluções de segurança, rendimento térmico e eletrônica embarcada.
1. Freios regenerativos e híbridos (KERS e MGU-K)
Introduzido em 2009 com a sigla KERS (Sistema de Recuperação de Energia Cinética) e aprimorado como motor-gerador cinético (MGU-K), o reaproveitamento da energia gerada durante as frenagens é hoje a base fundamental dos veículos híbridos e 100% elétricos vendidos no Brasil. Ao pisar no freio, a desaceleração alimenta as baterias de tração em vez de apenas dissipar calor inútil nas pastilhas.
2. Borboletas de troca de marcha no volante (paddle-shift)
O conceito de trocar marchas por aletas atrás do volante sem tirar as mãos da direção foi introduzido pela Ferrari de Fórmula 1 em 1989. O mecanismo garantiu frações preciosas de segundo para os pilotos e hoje é equipamento padrão em quase todos os veículos automáticos do mercado nacional, elevando a segurança e o controle em ultrapassagens.
3. Controles multifuncionais e telemetria de pneus
A necessidade de alterar o balanço de freios, mapas de injeção e comunicação sem desviar a atenção da pista inspirou os volantes multifuncionais que hoje controlam centrais multimídia, controle de cruzeiro e assistentes de voz. Da mesma forma, os sensores de monitoramento de pressão de pneus em tempo real (TPMS), obrigatórios nos carros novos, derivam diretamente da telemetria de corrida que avisa os boxes sobre microfuros e perda de calibragem.
4. Materiais ultraresistentes e zonas de absorção
A célula de sobrevivência de fibra de carbono dos monopostos e as estruturas de deformação programada foram essenciais para inspirar as aços de ultra-alta resistência que protegem a cabine dos automóveis familiares em colisões severas nas rodovias paulistas.