Levantamentos epidemiológicos divulgados neste encerramento da campanha Outubro Verde, mês dedicado ao combate à sífilis e à sífilis congênita, acenderam um alerta entre as autoridades de saúde pública das regiões de Bauru e Marília. Os dados apontam crescimento nos registros da infecção em suas três classificações monitoradas: sífilis adquirida, em gestantes e congênita (quando há transmissão da mãe para o bebê durante a gravidez ou o parto).
Diante do avanço nas notificações no Centro-Oeste paulista, as secretarias municipais de Saúde intensificaram a mobilização nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e nas Unidades de Saúde da Família (USFs) para ampliar o rastreamento precoce, a oferta de preservativos e o início imediato do tratamento com penicilina na rede pública.
Infecção silenciosa e riscos graves na gestação
Causada pela bactéria Treponema pallidum e transmitida predominantemente por via sexual desprotegida ou verticalmente da gestante para o feto, a sífilis é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) totalmente curável, mas que costuma evoluir de maneira silenciosa. No estágio inicial, o principal sintoma é uma pequena ferida indolor nos órgãos genitais que desaparece espontaneamente após algumas semanas, mesmo sem uso de medicamentos, dando ao paciente a falsa sensação de cura enquanto a bactéria permanece ativa no organismo.
O maior foco de preocupação das equipes de vigilância epidemiológica em Bauru e Marília recai sobre a sífilis congênita. Quando não diagnosticada e tratada adequadamente durante o pré-natal, a infecção pode provocar aborto espontâneo, parto prematuro, baixo peso ao nascer, malformações e sequelas neurológicas ou auditivas severas no recém-nascido.
Testagem rápida em 30 minutos e tratamento gratuito no SUS
As redes municipais de saúde reforçam que o teste rápido para detecção da sífilis está disponível gratuitamente durante todo o ano em qualquer posto de saúde, sem necessidade de agendamento prévio. O exame é realizado a partir de uma gota de sangue coletada na ponta do dedo, e o resultado fica pronto em cerca de 30 minutos, com total sigilo.
No acompanhamento pré-natal pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a testagem das gestantes é obrigatória no primeiro e no terceiro trimestres da gravidez, além do momento da internação para o parto. Caso o resultado seja reagente, o tratamento com penicilina benzatina deve ser administrado imediatamente tanto na paciente quanto em seu parceiro sexual, interrompendo a cadeia de transmissão e garantindo a proteção do bebê.
Com informações das Secretarias Municipais de Saúde. Foto: Jengod / Wikimedia Commons.