Um aplicativo com inteligência artificial desenvolvido pelo Ministério da Saúde em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein já acerta cerca de 80% dos diagnósticos de sete doenças de pele que afetam sobretudo a população mais pobre, entre elas a hanseníase. O CUTIS-AI foi pensado para ajudar médicos e enfermeiros da atenção básica do SUS a fazer a triagem dessas doenças, inclusive em lugares sem especialista e sem internet.
A ferramenta analisa fotos da lesão na pele junto com dados clínicos, epidemiológicos e sociodemográficos do paciente. Foi treinada com mais de 4 mil imagens de cerca de 1,4 mil pacientes brasileiros e ainda está em fase de estudo, sem prazo para chegar à rede pública.
As sete doenças
- Hanseníase;
- Esporotricose (micose transmitida principalmente por gatos);
- Leishmaniose cutânea;
- Cromoblastomicose;
- Lobomicose;
- Tuberculose cutânea;
- Lesões causadas pela picada da aranha-marrom.
“Uma tecnologia desenvolvida a partir de uma população específica pode não apresentar o mesmo desempenho quando aplicada a outros grupos. Por isso, construir uma base brasileira é essencial”, afirmou o secretário de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Fabiano Geraldo Pimenta Junior. Para a cientista de dados do Einstein Isabelle Carvalho, a base de imagens “contribuirá para o desenvolvimento de uma tecnologia útil na ponta, principalmente para a Atenção Primária à Saúde”.
O peso da hanseníase e o papel de Bauru
O Brasil registrou mais de 22 mil casos novos de hanseníase em 2024, segundo o Ministério da Saúde, e concentra mais de 90% dos casos das Américas, de acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde. O diagnóstico tardio ainda é um dos maiores problemas, porque a doença tem cura, mas pode deixar sequelas e incapacidades quando o tratamento demora.
É aí que entra Bauru. A cidade abriga o Instituto Lauro de Souza Lima, nascido do antigo asilo-colônia Aimorés e transformado em instituto de pesquisa da Secretaria de Estado da Saúde. Ele é centro de referência em dermatologia e, principalmente, em hanseníase para o governo paulista, para o Ministério da Saúde e para a Organização Mundial da Saúde, que o reconheceu como referência para os países de língua portuguesa em 1980.
O Ministério da Saúde e o Einstein não informaram se o instituto bauruense participa do projeto. Ferramentas como essa não substituem o exame clínico: servem para apontar quais pacientes precisam ser encaminhados com prioridade.
Com informações da Agência Brasil (04/11/2026), do Ministério da Saúde, da Opas e da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil (imagem de arquivo).