Ele já está nas prateleiras desde outubro e movimenta mais de R$ 1 bilhão por ano no Brasil. Na temporada passada, de outubro de 2025 a janeiro de 2026, o mercado de panetones faturou R$ 1,36 bilhão, alta de 3,5%, segundo dados da consultoria Worldpanel divulgados pela Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi). O curioso é que o volume vendido caiu 3,4%, para 50 mil toneladas: o brasileiro levou menos panetone para casa, mas escolheu versões mais caras.
Quem compra e o que compra
- O panetone está em 63% dos lares brasileiros;
- 33,1% das compras são para dar de presente;
- Os recheados foram o segmento que mais cresceu (+4,5% em volume), com destaque para trufados, doce de leite e avelã;
- O tamanho de 400 g responde por 64,2% do volume;
- Os “apaixonados por panetone”, 20% dos compradores, consomem 48% de tudo o que é vendido e começam a comprar já em outubro.
Para a temporada 2026/2027, a Abimapi projeta crescimento de 3% a 5% no faturamento. “Mantemos o otimismo”, afirmou o presidente-executivo da entidade, Claudio Zanão.
Compare antes de comprar
A diferença de preço entre lojas pode ser enorme. Na pesquisa de Natal de 2025 do Procon-SP, o panetone variou de R$ 26,90 a R$ 52,99 entre supermercados da capital, uma diferença de 96,99%, e o chocotone foi de R$ 28,99 a R$ 54,99. Na média, panetones e chocotones ficaram 7,56% mais caros do que no ano anterior. Vale pesquisar em mais de um mercado e padaria e comparar o preço por quilo, já que as embalagens variam de tamanho.
A lenda do “pão do Toni”
A origem do panetone é cercada de lendas, todas em Milão, no norte da Itália. A mais famosa conta que, no século 15, um ajudante de cozinha chamado Toni salvou a ceia de Natal de um nobre ao improvisar um pão doce com manteiga, ovos e frutas, que ganhou o nome de “pan del Toni”. Em outra versão, um jovem nobre se apaixona pela filha de um padeiro chamado Toni e inventa a receita para ajudar o negócio da família. Os historiadores não encontraram nenhuma prova dessas histórias.
O que se sabe com segurança é que um registro de despesas de um colégio em Pavia, na Lombardia, já menciona o pão em 1599, e que a primeira receita impressa é de 1853. A produção industrial começou em Milão no início do século 20, e o panetone chegou ao Brasil com os imigrantes italianos. A Bauducco, fundada pelo ítalo-brasileiro Carlo Bauducco em São Paulo, começou a fabricá-lo nos anos 1950 e popularizou o produto no país.
Com informações da Abimapi/Worldpanel, do Procon-SP e de registros históricos sobre o panetone.
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil.