Em junho deste ano, a FDA, agência que regula remédios e cosméticos nos Estados Unidos, anunciou uma novidade: pela primeira vez em mais de 20 anos, um novo ingrediente foi autorizado nos protetores solares vendidos no país. O filtro se chama bemotrizinol e é conhecido no mercado como Tinosorb S. Para o consumidor brasileiro, porém, a novidade é antiga: o mesmo filtro já é permitido no Brasil, e com limite maior.
O que é o bemotrizinol
É um filtro de amplo espectro, que protege contra os raios UVB (os que causam queimadura) e UVA (os que penetram mais fundo e aceleram o envelhecimento e o câncer de pele). Segundo a FDA, ele tem “baixos níveis de absorção pela pele”. Outra vantagem é a estabilidade: mesmo depois de muita exposição ao sol, quase todo o filtro continua ativo, e ele ainda ajuda a proteger outros filtros que se degradam com a luz.
EUA atrasados, Brasil na frente
Nos EUA, a FDA autorizou o bemotrizinol em concentração de até 6%, para adultos e crianças a partir de 6 meses, na primeira inclusão de um ingrediente na lista de protetores solares desde o fim dos anos 1990. O pedido foi feito pela fabricante DSM, e a liberação saiu sete meses depois da proposta. O relatório que embasou a decisão admite que o protetor solar americano “ficou para trás” em relação a outros países.
Na Europa, o filtro é usado desde 2000. No Brasil, ele consta da lista de filtros ultravioleta permitidos pela Anvisa, a RDC 600/2022, que incorpora as regras do Mercosul, com concentração máxima de 10%. A lista brasileira tem 36 filtros autorizados.
Como escolher o protetor
Mais importante do que o nome do filtro é usar o protetor do jeito certo:
- Escolha fator de proteção (FPS) 30 ou mais e proteção UVA indicada no rótulo;
- Aplique em quantidade generosa, cerca de 30 minutos antes de sair, e reaplique a cada duas horas ou depois de suar e entrar na água;
- Evite o sol direto entre 10h e 16h;
- Bebês com menos de 6 meses não devem usar protetor: a proteção é com sombra e roupas;
- Confira se o produto tem registro na Anvisa.
Com a primavera quente e a chegada do verão em dezembro, o cuidado vale também para o interior paulista: Bauru registrou máxima de 34,2 °C neste sábado (7), segundo o IPMet.
Com informações da FDA, da Anvisa (RDC 600/2022) e da Agência Brasil.
Foto: Taylor Slater/Força Aérea dos EUA (domínio público).